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Vó benzedeira




A crença em sua bondade
Forja no espírito de benzidos
A força da própria cura.

E saravam!...

Ela ri
Se lhe pergunto:
Vó, nesse tempo de três dias dado para cura
A doença por si só não desaparece?...

Se quisesse ironizar seu trabalho de fé
Nada ia além de mera brincadeira
Pois, apesar de minha tenra idade
Conseguia chegar bem perto de sua fé!



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45600

Estarei eu a sonhar
Não posso acreditar
É miragem certamente
É miragem doente

Parece pesadelo
Um filme de terror
Irreal
Mas eu vou acordar
Eu estou a sonhar

O horror da traição
Apunhalada pelas costas
Uma faca no coração
Mas eu estou a sonhar
Eu sei que vou acordar

Angústia pelo acordar
Nada disto é real
Não me posso ter enganado tanto
Parece pesadelo
Quero acordar
Eu estou a sonhar

Quero acordar
Quero acordar
Quero acordar
É uma ordem
Cabeça doente
Demente
Porque sonhas
Deixa de sonhar
Toca a acordar...

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45599

Não te posso revelar
o meu silêncio,
nem tão pouco
o que sinto por ti.
Digo-te apenas,
que me deito
no rio que corre,
por caminhos escondidos…
…até ti.

O tempo
traz-me o teu olhar,
a solidão
o teu sorriso,
nesta fome de te amar,
nesta vida
de névoas de esperança,
é do teu calor que preciso.

Não sei
porque te trago
no peito,
nem sei
porque te acho
no pensamento.
Sei, que me deixas
a lua e o sol,
que me alegram os dias
na foz do esquecimento.

E agora
que me soletras
os sonhos
com voz quente
de amante louco,
e na saudade do prazer,
levas para longe
o cheiro do meu corpo.
Não me perguntes
o que diz o meu silêncio
porque perto de ti, diz tão pouco…




Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45598



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A insolvência de mim…
vai em busca de ti…

Reaproximando-me serena,
Como quem morde o vento!
É o sal dos teus olhos
Que me cega e deprime...
Mas dissolvo essa angustia
Com a espuma dum verso.

Sem saber o que busco,
Fico inerte e dormente...
Como se o mar onde moro
Se fundisse noutro oceano.

A insolvência de mim…
Vai em busca de ti…
Não te encontro, que horror…
Tudo foi um ENGANO!!

Vóny Ferreira

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45597

vai leonor tão cansada
pelos caminhos do monte
p’ra levar a sede à fonte

vai descalça leonor
pelos trilhos que deus sabe
onde pouco mais lá cabe
que seu corpo e sua dor
de não ter o seu amor
junto à dobra do horizonte
p’ra levar a sede à fonte

e seu olhar tão distante
por onde o orvalho dormita
vai tão longe que não fita
a fita que se ergue avante
de seu passo mais que errante
que se perde pelo monte
p’ra levar a sede à fonte

ai leonor quem te visse
por esta tarde de estio
sabia o que era o vazio
mas só a talha te disse
que só quando a água ouvisse
te diria quem te conte
p’ra levar a sede à fonte

e quando a água pousou
disse a talha a leonor
“foi num barco o teu amor
foi o vento que o levou
pelo mar que não se achou
mas que há p’ra lá do horizonte
p’ra levar a sede à fonte”

e riu-se a talha sabida
das lágrimas que caiam
e que a sal de mar sabiam
o mesmo que dá guarida
a quem deu esta ferida
a quem chora pelo monte
p’ra levar a sede à fonte

e abre-se a terra ofendida
como se a golpe de enxada
cai a talha faz-se em nada
leonor está de partida
pela ribeira nascida
no dia em que foi ao monte
p’ra levar a sede à fonte


Xavier Zarco
www.xavierzarco.no.sapo.pt
www.xavierzarco.blogspot.com
www.euxz.blogspot.com



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45596

No profundo silêncio da madrugada, vejo somente desejos resplandecerem seu rosto. o sabor amargo e doce dessa saudade inquieta não se cansa de implorar sua presença.

Queria poder tocar-te não só em sonho mas fazer todos pensamentos virar realidade, assim poderia dormir tranquila sabendo que ao meu lado sempre acordaria.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45595

Triste é o fim abocanhado pelo começo
A cada instante que padeço da discórdia mental
Sei que são faces normais de alguém que sonhou
E num tropeço, desalentou esperanças.
Amargurou sentimentos sofridos.
Triste do começo que não tem fim
Pois o gosto de quero mais permanece
E languida, a boca padece, saudosa dos beijos seus
Se o fim não justifica o meio, por que nesse ínterim
Quiseste fazer assim? Tão certa é a puta virgem
Virgem pura. Que desnuda sua verdade em amargura
E não vê, crendo, que na carne tudo perdura
São chagas que levamos para sepultura
Máculas d’alma que entregamos a escuridão
De olhos fechados, velados a cada estocada fria
Da lâmina ponte-aguda que perfura e corta
O fio, condão.
Onde está a minha sepultura, que guarda o que
Nem os vermes querem mais comer.
Se hoje, vivo sem querer viver.
Sinto-me perdido, sem ilusão, diante de tão negro coração?
Tomo-me perdido, escondido em capa dura
Cancro velado que se mistura a interna podridão que corrói
Cauteriza sadicamente alma e coração?
Fecho os olhos e interiorizo a macula
Ignoro a dor que me causa na esperança de vê-la velada.
Intacta. Perante a minha imperfeição.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45594